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sábado, 17 de novembro de 2012

PACTO DE SANGUE (1944) - DOUBLE INDEMNITY



 Walter Neff (Fred MacMurray), um vendedor de seguros, é seduzido e induzido por Phyllis Dietrickson (Barbara Stanwyck), uma sedutora e manipuladora mulher, a matar seu marido, mas de uma forma que pareça acidente para a polícia e também em condições específicas, que façam o seguro ser pago em dobro.


O quebra-cabeça do diretor Billy Wilder em Pacto de Sangue, o enigma que o mantém sempre atualizado, é o que estes dois seres pensam, verdadeiramente, um sobre o outro. Eles se suportam em meio à rotina da trama de um crime noir, com seus ásperos diálogos e o frio jogo do sexo. Mas eles nunca parecem realmente se amar tanto assim, e também não parecem loucamente interessados em dinheiro. No que, então, estariam interessados?


A história foi escrita em 1930 por James M. Cain. O roteiro que andou rolando por Hollywood, mas que o Hays Office rejeitou por "incitar a platéia ao crime". Em 1944, Wilder imaginou que poderia filmá-lo. Cain não estava disponível, e então Raymond Chandler foi contratado para fazer o roteiro. Chandler, cujo romance Á beira do abismo Wilder amara, apareceu bêbado, com um fétido cachimbo e não sabendo nada a respeito da estrutura de um roteiro, mas sabia como dar uma sórdida reviravolta nos diálogos.


Juntos, Wilder e Chandler eliminaram o complicado fim de jogo de Cain e aprofundaram o relacionamento entre Neff e Keyes (Edward G. Robinson), o gerente de indenizações da companhia de seguros. Eles apresentam o filme em flashbacks, narrados por Neff, que chega em seu escritório tarde da noite, sangrando, e começa a contar tudo num ditafone. A narração em off funcionou tão bem que Wilder utilizou mais uma vez em Crepúsculo dos deuses, de 1950, que foi narrado por um personagem que já havia morrido na primeira vez em que fala. Nenhum problema. Pacto de sangue originalmente terminava com Neff na câmera de gás, mas a cena foi cortada, porque uma cena anterior mostrou-se uma alternativa mais enigmática para fechar o filme.


Pacto de sangue foi um dos primeiros filmes noir. A fotografia de John Seitz ajudou o desenvolvimento do estilo noir de sombras e tomadas agudas, ângulos estranhos e ambientes desolados. É o ambiente certo para a rude atmosfera urbana e para o diálogo criado por Cain, Chandler e outros roteiristas que Edmund Wilson chamava de "os garotos dos quartos dos fundos".


Pacto de sangue tem um dos temas mais conhecidos dos filmes noir, o herói não é um criminoso, mas um homem venal que é desafiado e sucumbe. Nesta história "ambígua", o homem e a mulher se desafiam mutuamente; jamais teriam tomado qualquer atitude isolada. Ambos são atraídos não tanto pelo crime, mas pela excitação de consumá-lo com a cumplicidade de outra pessoa. Amor e dinheiro são meros pretextos.




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